Saúde feminina: dores e doenças que afetam a produtividade no trabalho

A professora e jornalista Bárbara Gomes, 31 anos, sempre teve a menstruação desregulada, com atrasos de até 45 dias. Mas o diagnóstico da síndrome dos ovários policísticos só veio quando as espinhas no rosto aumentaram e ela buscou um tratamento. Hoje, Bárbara não pode ficar sem um anticoncepcional específico. Se não usar o medicamento, enfrenta cólicas intensas e uma forte Tensão Pré-Menstrual (TPM).

A administradora Muriel Macedo, 33 anos, passou 16 anos peregrinando por consultórios e hospitais. Os médicos diziam que era gases, que estava tudo normal, que era emocional. “Eu pensei que estava louca”, conta. O diagnóstico de endometriose veio tarde, e as dores quase diárias já a levaram à depressão. Na escola, os meninos a chamavam de “Santa Dor”, porque ela só vivia com dor.

Histórias como as de Bárbara e Muriel são a realidade de milhares de mulheres no Brasil. Endometriose, síndrome dos ovários policísticos, miomas e até as famigeradas cólicas menstruais fazem parte da vida feminina e têm um impacto direto na saúde, no bem-estar e, consequentemente, no trabalho.

Para gestores de RH e líderes empresariais, entender essa realidade é fundamental. Ignorar as dores e doenças que afetam as colaboradoras não é apenas uma questão de falta de empatia – é um erro de gestão que impacta o absenteísmo, a produtividade e os custos com o plano de saúde empresarial.

O impacto silencioso no ambiente corporativo

As doenças do aparelho reprodutor feminino se manifestam geralmente por dores pélvicas agudas ou crônicas, explica o ginecologista Airton Ribeiro, coordenador do serviço de ginecologia do grupo CAM.

Entre as dores crônicas, as mais conhecidas são as cólicas menstruais. Elas podem ser intensas por diversos motivos e, em muitos casos, são um sintoma de que algo mais grave pode estar acontecendo, como a endometriose.

O ginecologista e obstetra José Carlos Gaspar alerta que cólicas que se intensificam com o tempo, que interferem na qualidade de vida e que podem estar relacionadas à dificuldade para engravidar são um sinal de alerta para a endometriose.

O problema é que, como no caso de Muriel, muitas mulheres enfrentam uma longa peregrinação em busca de diagnóstico. A falta de preparo de alguns profissionais e o preconceito fazem com que sintomas sejam minimizados e tratados como “frescura” ou “problema emocional”.

Os números que importam para as empresas

Dados do estudo “Carga de morbidade e multimorbidade e absenteísmo no trabalho”, publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia em 2024, mostram que as mulheres são desproporcionalmente afetadas por condições crônicas que impactam o trabalho:

  • Mulheres com múltiplas doenças crônicas têm 73% mais chances de se afastarem do trabalho em comparação com aquelas sem essas condições.

  • Entre as mulheres que relataram absenteísmo, 50,8% tinham problemas de coluna e 42,9% tinham depressão – condições muitas vezes agravadas por dores crônicas e pela falta de diagnóstico adequado.

Isso significa que, além do sofrimento individual, há um custo real para as empresas em termos de faltas, queda de produtividade e aumento da sinistralidade nos planos de saúde empresariais.

O papel do plano de saúde e do cuidado coordenado

Diante desse cenário, oferecer um plano de saúde empresarial de qualidade é essencial, mas não basta. É preciso ir além, com uma abordagem de cuidado coordenado que atue proativamente na saúde das colaboradoras.

Como uma estratégia de prevenção pode ajudar

Checkups regulares e exames preventivos
A solicitação periódica de exames ginecológicos permite identificar precocemente condições como endometriose, SOP e miomas. Diagnosticar cedo significa tratar cedo, evitando que quadros simples se agravem e gerem afastamentos prolongados.

Canal de comunicação com equipe de saúde
Muitas mulheres deixam de buscar ajuda por falta de tempo, vergonha ou por já terem tido suas dores minimizadas no passado. Um canal de chat sigiloso com profissionais de saúde permite:

  • Tirar dúvidas sobre sintomas (como cólicas intensas ou dores pélvicas)

  • Receber orientações sobre quando procurar um especialista

  • Obter acolhimento sem julgamento

Atendimento digital 24/7 para sintomas agudos
Quando uma dor aguda surge, o tempo de resposta é crucial. Um atendimento digital disponível a qualquer hora orienta a colaboradora sobre os próximos passos: deve ir ao pronto-socorro, agendar uma consulta ou pode manejar o sintoma em casa? Isso evita que casos simples se agravem e reduz o tempo de afastamento.

Trabalho contínuo de educação em saúde
Informação de qualidade transforma comportamentos. Campanhas educativas sobre saúde da mulher, direitos, sintomas que merecem atenção e a importância do acompanhamento ginecológico regular criam uma cultura organizacional onde a saúde é tratada com naturalidade e responsabilidade.

Ações práticas para sua empresa

  1. Conheça seus dados: Analise os afastamentos por sexo e causa. Use os dados da operadora do seu plano de saúde empresarial para identificar padrões.

  2. Revise seu benefício: Seu plano oferece cobertura adequada para consultas ginecológicas, exames preventivos e acompanhamento de doenças crônicas? Operadoras como Unimed, Amil, Bradesco Saúde e SulAmérica têm programas específicos que podem ser acionados.

  3. Converse com sua corretora: Uma corretora de plano de saúde especializada pode ajudar a mapear as melhores soluções, inclusive para PMEs com opções como planos de saúde para MEI e planos de saúde PJ, e integrar programas de cuidado coordenado ao seu benefício.

  4. Implemente ações de acolhimento: Crie canais sigilosos de apoio e capacite lideranças para abordar o tema com empatia, sem julgamento.

As dores e doenças que afetam a saúde feminina são reais e impactam diretamente a vida de milhões de brasileiras. Para as empresas, ignorar essa realidade é um erro de gestão com consequências mensuráveis em absenteísmo, produtividade e custos com planos de saúde.

Investir em prevenção, em um plano de saúde empresarial bem estruturado e em um modelo de cuidado coordenado não é apenas uma questão de responsabilidade social – é a estratégia mais inteligente para reduzir custos, reter talentos e construir uma organização mais saudável e competitiva.

Cuidar da saúde feminina é cuidar do futuro do negócio.

Fonte: Matéria do Justiça em Foco. Disponível em: www.justicaemfoco.com.br

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