Afastamentos por doenças de trabalho crescem 25% no Brasil

Os números são alarmantes e acendem um alerta vermelho para gestores de RH e líderes empresariais. De acordo com o mais recente Anuário do Sistema Público de Emprego e Renda do Dieese, os afastamentos por doenças relacionadas ao trabalho cresceram 25% em dez anos no Brasil, atingindo 181,6 mil casos em 2015.

Problemas que vão desde Lesões por Esforço Repetitivo (LER) a transtornos mentais como a depressão estão cada vez mais presentes no dia a dia das empresas. E, ao contrário do que se possa pensar, o perfil do trabalhador afastado mudou: hoje, prevalece entre aqueles com ensino médio completo ou superior incompleto, um grupo que viu os casos quase dobrarem no período.

Para as empresas, esses dados representam um impacto direto no absenteísmo, na produtividade e, consequentemente, nos custos com o plano de saúde empresarial. Ignorar essa tendência não é mais uma opção.

O Retrato do Afastamento no Brasil

A pesquisa do Dieese, feita a partir da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho, revela um cenário de transformação no mercado e nos riscos à saúde do trabalhador:

Indicador 2005 2015 Variação
Afastamentos por doenças do trabalho 145,3 mil 181,6 mil ▲ +25%
Acidentes de trabalho 324,9 mil 337,7 mil ▲ +3,9%

Embora os acidentes ainda sejam mais numerosos, o crescimento acelerado das doenças ocupacionais chama a atenção. E os números são ainda mais expressivos quando analisados por recorte:

  • Mulheres: os afastamentos saltaram 41% no período, contra apenas 12% entre os homens.

  • Escolaridade: entre trabalhadores com ensino médio completo ou superior incompleto, os casos quase dobraram, passando de 40,4 mil para 77,7 mil.

Por Que Isso Está Acontecendo?

Especialistas apontam uma mudança profunda na natureza dos riscos no ambiente de trabalho. Como explica Carmen Bueno, especialista da Organização Internacional do Trabalho (OIT):

“As profundas transformações no mercado expõem os trabalhadores não só aos tradicionais perigos físicos, mas a novos riscos emergentes, relacionados a questões ergonômicas e psicossociais, cujas consequências se tornam doenças profissionais, como lesões muscoesqueléticas ou transtornos mentais.”

A modernidade, com sua exigência de respostas cada vez mais rápidas e a conectividade permanente, tem aumentado o estresse e a pressão sobre os trabalhadores. O advogado trabalhista Luiz Marcelo Góis alerta para o chamado “dano existencial”:

“Sob estresse, as pessoas somatizam. O trabalho não deixa a pessoa viver. Ela fica tão esgotada que não tem vontade de socializar, de ir à igreja ou mesmo ter relações sexuais. É um fenômeno global.”

A Subnotificação: A Ponta do Iceberg

Os dados oficiais, embora preocupantes, são apenas a ponta do iceberg. A subnotificação de doenças ocupacionais é imensa. Estima-se que, para cada acidente de trabalho registrado, sete não são informados. No caso das doenças, o problema é ainda maior, pois é difícil comprovar clinicamente, por exemplo, que uma depressão teve origem no trabalho.

Além disso, em momentos de recessão como o vivido pelo Brasil, a tendência é que as estatísticas caiam artificialmente, pois o medo do desemprego inibe os pedidos de afastamento. Como observa João Silvestre Silva-Junior, da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT):

“As pessoas deixam de cuidar da saúde para evitar um desligamento por baixa produtividade. Esconde-se uma realidade cruel.”

O Impacto nas Empresas

Para quem oferece plano de saúde empresarial, esse cenário tem consequências diretas:

  1. Aumento da sinistralidade: Mais afastamentos, consultas, exames e tratamentos elevam os custos do plano.

  2. Queda de produtividade: Colaboradores doentes ou em sofrimento produzem menos e com pior qualidade.

  3. Sobrecarga nas equipes: Colegas precisam cobrir as ausências, gerando estresse e desmotivação.

  4. Riscos trabalhistas: Empresas que negligenciam a saúde mental podem enfrentar ações judiciais e danos à reputação.

O Papel do Cuidado Coordenado na Prevenção

Diante desse quadro, a reação não pode ser apenas tratar as doenças quando elas aparecem. É preciso prevenir. É aqui que um modelo de cuidado coordenado em saúde se torna um diferencial estratégico.

Como o Cuidado Coordenado Pode Ajudar

Checkups Regulares e Exames Preventivos
Identificar precocemente sinais de estresse, ansiedade ou problemas ergonômicos permite agir antes que eles se transformem em afastamentos prolongados.

Canal de Comunicação com Equipe de Saúde (Chat)
Muitos colaboradores sofrem em silêncio por medo de julgamento ou demissão. Um canal sigiloso de orientação permite que eles busquem ajuda no início do problema.

Atendimento Digital 24/7 para Sintomas Agudos
Quando uma crise de ansiedade ou uma dor aguda surge, uma orientação imediata pode evitar o agravamento e o afastamento.

Trabalho Contínuo de Educação em Saúde
Campanhas sobre saúde mental, ergonomia, gerenciamento de estresse e qualidade de vida criam uma cultura de cuidado e previnem o adoecimento.

Ações Práticas para sua Empresa

  1. Mapeie os riscos: Analise os dados de afastamento da sua empresa. Há padrões? Quais são as causas mais frequentes?

  2. Invista em ergonomia e clima organizacional: Pequenas melhorias no ambiente físico e na gestão podem ter grande impacto na saúde dos colaboradores.

  3. Ofereça suporte em saúde mental: Garanta que seu plano de saúde empresarial ofereça cobertura adequada para psicologia e psiquiatria. Operadoras como Unimed, Amil e Bradesco Saúde possuem programas específicos.

  4. Converse com sua corretora: Uma corretora de plano de saúde especializada pode ajudar a estruturar um programa de cuidado coordenado e a negociar melhores condições com a operadora.

  5. Para PMEs: Opções como planos de saúde para MEI e planos de saúde PJ já podem ser integradas a ações preventivas de baixo custo.

O crescimento dos afastamentos por doenças do trabalho é um sinal claro de que o modelo tradicional de gestão de pessoas precisa mudar. Ignorar a saúde mental e os riscos ergonômicos não é mais possível.

Empresas que investem em prevenção e cuidado coordenado não apenas reduzem custos com absenteísmo e planos de saúde, mas também constroem equipes mais saudáveis, engajadas e produtivas.

Cuidar de quem cuida do negócio é, acima de tudo, um investimento com retorno garantido.

Fonte: O Globo, via CNTC. Disponível em: http://www.cntc.org.br/?noticias=afastamentos-por-doencas-do-trabalho-avancam-com-forca-no-brasil

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