O Carnaval chegou ao fim. A folia passou, mas as consequências dos excessos podem bater à porta do RH nas próximas semanas.
Todo ano, o período pós-Carnaval traz um fenômeno silencioso para as empresas: o aumento de afastamentos relacionados a Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
Dados do Ministério da Saúde mostram que os diagnósticos de HIV, sífilis e hepatites virais costumam crescer entre março e abril. E isso não é coincidência: feriados prolongados, maior exposição a relações sexuais casuais e baixa adesão à prevenção formam a tempestade perfeita.
Mas o que isso tem a ver com o RH, o SESMT e a gestão de pessoas?
Tudo.
Por que ISTs são um problema de gestão de pessoas?
Aqui vai um dado que todo gestor precisa conhecer: o tratamento de ISTs pode afastar o colaborador por dias, semanas ou até meses, dependendo do estágio da infecção.
Casos de sífilis terciária, por exemplo, exigem internação e acompanhamento prolongado. Hepatites virais podem evoluir para quadros crônicos que reduzem a produtividade e elevam o absenteísmo.
Em resumo:
IST | Impacto médio no trabalho |
Sífilis (fases iniciais) | Consultas frequentes por 1 a 3 semanas |
Sífilis (fases avançadas) | Internação + afastamento prolongado |
HIV | acompanhamento contínuo e controlado, se adesão correta ao tratamento |
Hepatites B e C | Possível evolução para doenças crônicas |
Herpes genital | Crises recorrentes com afastamentos pontuais |
Além disso, há o impacto emocional: o diagnóstico de uma IST pode gerar ansiedade, depressão e estigma, afetando diretamente o clima organizacional e a produtividade das equipes.
O cenário pós-Carnaval: o que os números mostram?
Vamos aos fatos:
- Aumento de até 30% na procura por testes rápidos de ISTs em março (fonte: Ministério da Saúde)
- 70% das pessoas que contraem sífilis estão na faixa economicamente ativa (20 a 49 anos)
- 1 em cada 5 brasileiros já teve ou terá alguma IST ao longo da vida
Traduzindo: sua empresa provavelmente já tem ou terá colaboradores lidando com ISTs. A questão é: você está preparado para lidar com isso sem prejudicar a operação?
Como prevenir afastamentos? 4 estratégias práticas
Prevenir não é apenas distribuir camisinhas no banheiro. É construir uma cultura organizacional que entende a saúde sexual como parte da saúde integral do trabalhador.
- Campanhas educativas antes dos feriados
A informação precisa chegar antes da folia. Uma semana antes do Carnaval, promova ações internas sobre:
- Uso correto de preservativos
- Importância da testagem regular
- Onde encontrar atendimento gratuito (UBS, CTA, etc.)
Dica: Use canais como murais, grupos de WhatsApp corporativos e e-mails marketing segmentados.
- Incentivo à testagem na rede pública
Oriente seus colaboradores sobre onde encontrar testagem rápida e sigilosa: Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e serviços especializados. Quanto mais informação, mais prevenção.
- Parceria com a rede pública e privada
Mapeie os serviços de referência próximos à sua empresa. Onde o colaborador pode buscar acolhimento, testagem e tratamento? Monte um guia rápido e distribua para todos.
- Acolhimento sem julgamento
O maior inimigo da prevenção é o preconceito. Colaboradores que temem ser julgados pelo RH ou pelos colegas simplesmente deixam de buscar ajuda — e adoecem mais.
Invista em:
- Canais sigilosos de orientação
- Palestras com profissionais de saúde
- Políticas internas antidiscriminação
Como um programa estruturado de cuidado preventivo pode ajudar sua empresa
Agora, vamos ao que realmente importa: como transformar essa preocupação em ação concreta e contínua?
Empresas que adotam um modelo de cuidado coordenado em saúde conseguem ir além das ações pontuais e construir uma cultura de prevenção consistente. Esse modelo integra diferentes frentes que, juntas, reduzem significativamente os riscos de afastamentos por ISTs e outros problemas de saúde.
As principais ferramentas desse cuidado preventivo incluem:
Checkups regulares e exames preventivos
A solicitação periódica de exames permite identificar precocemente condições de saúde que poderiam evoluir para quadros graves. No caso das ISTs, o diagnóstico precoce é determinante para um tratamento rápido e eficaz, evitando complicações e afastamentos prolongados.
Canal de comunicação com equipe de saúde
Ter um canal onde os colaboradores possam tirar dúvidas de forma sigilosa e sem julgamento é fundamental. Muitas pessoas deixam de buscar ajuda por vergonha ou falta de informação. Um chat com profissionais de saúde disponível para orientações quebra essa barreira e estimula comportamentos preventivos.
Atendimento digital 24/7 para sintomas agudos
Quando surgem sintomas, o tempo de resposta faz toda a diferença. Um atendimento digital disponível a qualquer hora permite que o colaborador receba orientação imediata sobre o que fazer, onde buscar ajuda e se há necessidade de afastamento. Isso evita que casos simples se agravem e que o colaborador fique desassistido nos momentos críticos.
Trabalho contínuo de educação em saúde
Informação de qualidade, entregue de forma consistente, transforma comportamentos. Campanhas educativas antes de feriados, conteúdos sobre prevenção, materiais sobre onde buscar testagem, tudo isso cria uma cultura organizacional onde a saúde sexual é tratada com naturalidade e responsabilidade.
Quando essas ferramentas atuam de forma integrada, o resultado é uma força de trabalho mais saudável, consciente e preparada para lidar com os riscos — inclusive aqueles que aumentam em períodos como o Carnaval.
Conclusão: Carnaval passa, ISTs não
Saúde sexual não é assunto só de Carnaval. É cuidado, é prevenção e deve ser falado o ano todo.
Para o RH, o recado é claro: saúde sexual não é assunto privado demais para ser ignorado. É, sim, um pilar da saúde ocupacional e da produtividade.
Investir em prevenção, informação e acolhimento não é só responsabilidade social — é estratégia de negócio.
Empresas que adotam uma abordagem estruturada de cuidado preventivo conseguem não apenas reduzir afastamentos, mas também construir um ambiente de trabalho mais saudável, engajado e preparado para os desafios de saúde que surgem ao longo do ano.
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