Governo faz campanha para vacinar jovens contra HPV e Meningite

Para tentar melhorar os índices de cobertura vacinal, que estão bem abaixo da meta, o Ministério da Saúde lançou nesta terça-feira (13) uma campanha publicitária para vacinar jovens e adolescentes contra meningite e HPV. A iniciativa vai até o dia 30 e é feita de forma simultânea com um movimento para convencer escolas públicas a promover dias de vacinação dentro dos estabelecimentos.

A vacinação contra o HPV foi introduzida no Brasil em 2014 com grande adesão das escolas. No entanto, diante da notícia de casos (depois descartados) de reações adversas naquele ano, a adesão caiu de forma expressiva. E, com ela, os índices de cobertura vacinal entre os adolescentes. A ideia agora é tentar vencer essa resistência.

Atualmente, 48,9% das meninas de 9 a 14 anos completaram as duas doses da vacina contra o HPV. Os indicadores da primeira dose são mais expressivos: 79,2%. “Mas não é suficiente. A proteção somente se estabelece com as duas doses”, alerta a coordenadora do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, Carla Domingues. Entre meninos de 11 a 14 anos, a cobertura vacinal é de 43,8%, apenas com a primeira dose.

Os dados da vacina meningocócica C não são muito diferentes. A meta é vacinar 80% dos adolescentes entre 11 e 14 anos – um público-alvo maior do que no ano passado, quando a vacina era oferecida para jovens de 12 e 13 anos.

Tanto a vacina contra HPV quanto a de meningite C estão disponíveis durante todo o ano nos postos de saúde.

O desafio das fake news

Um dos maiores empecilhos para ampliar a vacinação, avaliam técnicos do ministério, é a divulgação de notícias falsas sobre eventuais reações adversas. Para combatê-las, a pasta preparou um material específico que será divulgado nas redes sociais, esclarecendo o que é mito e mostrando que há o apoio de todas as sociedades científicas.

A preocupação tem fundamento: o Ministério da Saúde estima que ocorram 16 mil casos de câncer de colo de útero por ano no Brasil, com 5 mil óbitos. Mais de 90% dos casos de câncer anal e 63% dos casos de câncer de pênis estão relacionados ao HPV.

A vacina contra meningite, por sua vez, é aplicada aos três, cinco e 12 meses. Um reforço deve ser dado na adolescência.

O que isso tem a ver com as empresas?

A campanha do governo é um lembrete importante para gestores de RH e líderes empresariais: a prevenção é a ferramenta mais poderosa para garantir a saúde da população – e, consequentemente, da força de trabalho.

Doenças como o câncer de colo de útero, diretamente ligado ao HPV, e a meningite podem gerar afastamentos prolongados, tratamentos de alto custo e, em casos graves, óbitos. Tudo isso impacta diretamente o absenteísmo, a produtividade e a sinistralidade dos planos de saúde empresariais.

O papel das empresas na promoção da vacinação

As empresas podem (e devem) atuar como aliadas das políticas públicas de saúde:

  1. Incentivar a vacinação dos colaboradores e seus familiares: Campanhas internas de conscientização sobre a importância das vacinas, incluindo HPV e meningite, podem ajudar a aumentar a cobertura.

  2. Oferecer informações confiáveis: Combater as fake shots com dados científicos e orientações de especialistas é um papel fundamental do RH.

  3. Facilitar o acesso: Empresas podem firmar parcerias para oferecer vacinação in company ou orientar sobre onde encontrar as doses gratuitas nos postos de saúde.

  4. Revisar a cobertura do plano de saúde: Nem todas as vacinas estão incluídas nos planos de saúde. Conhecer a cobertura e orientar os colaboradores sobre o que está disponível no SUS é essencial.

O papel do cuidado coordenado na prevenção

Um modelo estruturado de cuidado coordenado em saúde pode ajudar as empresas a integrar a vacinação em sua estratégia de bem-estar:

Checkups regulares e avaliação da carteira vacinal
Incluir a verificação da situação vacinal nos checkups periódicos permite identificar colaboradores com doses atrasadas e orientá-los sobre a regularização.

Canal de comunicação com equipe de saúde
Um chat com profissionais de saúde pode tirar dúvidas sobre vacinas, combater mitos e direcionar os colaboradores para os locais de vacinação.

Atendimento digital 24/7 para orientações
Em caso de exposição a doenças preveníveis, uma orientação imediata pode evitar o agravamento e a necessidade de afastamento.

Trabalho contínuo de educação em saúde
Campanhas educativas sobre a importância da vacinação, com informações claras e baseadas em ciência, criam uma cultura de prevenção duradoura.

Ações práticas para sua empresa

  1. Divulgue a campanha: Compartilhe com seus colaboradores as informações oficiais sobre a vacinação contra HPV e meningite. Use os canais internos de comunicação.

  2. Verifique a cobertura do plano: Converse com sua corretora de plano de saúde sobre quais vacinas estão incluídas no plano de saúde empresarial e oriente a equipe.

  3. Incentive a ida aos postos de saúde: Lembre que as vacinas estão disponíveis gratuitamente no SUS durante todo o ano.

  4. Para PMEs: Opções como planos de saúde para MEI e planos de saúde PJ também podem ser complementadas com ações de incentivo à vacinação na rede pública.


Conclusão

A baixa cobertura vacinal contra HPV e meningite é um problema de saúde pública com impactos diretos no ambiente corporativo. Doenças preveníveis geram afastamentos, custos e sofrimento que poderiam ser evitados.

Empresas que assumem um papel ativo na promoção da saúde, incentivando a vacinação e investindo em cuidado coordenado, não apenas protegem seus colaboradores, mas também constroem uma cultura organizacional mais forte e sustentável.

Cuidar da prevenção é cuidar do futuro do negócio.

Fonte: O Estado de S. Paulo. Disponível em: http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,governo-lanca-campanha-para-ampliar-adesao-a-vacina-contra-hpv-e-meningite-c,70002225305

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