Apesar de comum, a incontinência urinária é negligenciada por muitas mulheres devido ao desconhecimento, comodismo ou receio de buscar tratamento. Para alertar sobre o problema, existe até uma data: 14 de março – Dia Mundial da Incontinência Urinária.
Definida pela Sociedade Internacional de Incontinência (ICS) como qualquer perda involuntária de urina, a condição atinge entre 25% e 35% das mulheres na faixa dos 45 aos 60 anos, dependendo da região e dos critérios utilizados.
“Os impactos na qualidade de vida são desconcertantes, interferindo muitas vezes na convivência social, profissional e afetiva”, afirma o urologista Antônio Brunetto, do Hospital São Vicente – Funef. “São recorrentes queixas de pessoas que se privam de participar de eventos sociais, praticar atividades físicas ou mesmo que sofrem interferências nas relações afetivas.”
Para gestores de RH e líderes empresariais, o tema merece atenção especial. Afinal, uma condição de saúde que afeta até uma em cada três mulheres na faixa economicamente ativa tem impacto direto no absenteísmo, no presenteísmo e na produtividade. Além disso, muitas vezes silenciosa, a incontinência pode ser a ponta de um iceberg de problemas mais graves.
Quais os principais tipos?
Dr. Antônio Brunetto explica que os padrões principais são:
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Incontinência de esforço: ocorre por disfunção da musculatura responsável por reter a urina ou por alterações na mobilidade da bexiga e uretra. Manifesta-se com perdas aos esforços, como tossir, rir, praticar atividades físicas ou levantar peso.
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Incontinência de urgência: causada por contrações involuntárias da bexiga em momentos inapropriados. A pessoa sente uma vontade súbita e intensa de urinar, culminando em perdas.
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Incontinência mista: quando a pessoa apresenta ambos os tipos.
Diagnóstico e causas
O diagnóstico pode ser feito apenas pela entrevista médica e exame físico minucioso. Em casos específicos, exames como ultrassonografia, tomografia e estudo urodinâmico podem ser solicitados.
Entre os fatores predisponentes estão:
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Envelhecimento
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Gestação e parto normal
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Sobrepeso e obesidade
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Menopausa
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Fatores genéticos
Importante: a incontinência pode ser sinal de doenças mais graves, como infecção urinária, esclerose múltipla, AVC e tumores. Por isso, a consulta ao urologista é fundamental.
Não é só com as mulheres
Na faixa acima de 60 anos, as mulheres têm probabilidade duas vezes maior de desenvolver incontinência, mas os homens também estão sujeitos. As causas masculinas incluem problemas neurológicos (AVC, Parkinson, esclerose múltipla), traumas e, principalmente, cirurgias de próstata.
Tratamento: há saída
A boa notícia é que a incontinência tem tratamento. As opções incluem:
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Fisioterapia: para fortalecer os músculos do assoalho pélvico, com técnicas como cinesioterapia com biofeedback, eletroestimulação e cones vaginais. Exige persistência.
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Medicação: tem papel central no tratamento da bexiga hiperativa, mas efeitos colaterais podem limitar o uso.
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Técnicas minimamente invasivas: como estimulação do nervo tibial posterior e aplicação de toxina botulínica na bexiga.
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Cirurgia: a mais utilizada é a de suporte uretral com faixas (sling), que hoje é segura, com recuperação rápida e baixo tempo de internação.
“A mensagem que deve permanecer é a possibilidade de cura, recuperando a autoestima e permitindo atividades que antes eram evitadas”, reforça Brunetto.
O impacto no ambiente corporativo
Para as empresas, a incontinência urinária é um tema que não pode ser ignorado:
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Absenteísmo e presenteísmo: Colaboradoras que sofrem com perdas urinárias podem faltar mais ou ter sua produtividade reduzida pelo desconforto e pela ansiedade.
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Custos com saúde: Consultas, exames, fisioterapia, medicamentos e cirurgias impactam a sinistralidade do plano de saúde empresarial.
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Saúde mental: O constrangimento e o isolamento social podem levar a quadros de ansiedade e depressão, amplificando os custos e o sofrimento.
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Diagnóstico tardio: O receio de buscar ajuda retarda o tratamento e agrava os problemas.
O papel do cuidado coordenado
Um modelo estruturado de cuidado coordenado em saúde pode ajudar as empresas a lidar com esse desafio:
Checkups regulares e exames preventivos
Incluir perguntas sobre perdas urinárias nos check-ups pode identificar o problema precocemente e encaminhar a colaboradora para o especialista.
Canal de comunicação com equipe de saúde
Um chat sigiloso com profissionais permite que colaboradoras tirem dúvidas sem constrangimento e recebam orientações sobre quando procurar ajuda.
Atendimento digital 24/7 para orientações
Em caso de sintomas agudos, uma orientação imediata pode evitar o agravamento e direcionar para o atendimento adequado.
Trabalho contínuo de educação em saúde
Campanhas de conscientização sobre a incontinência, desmistificando o tema e mostrando que há tratamento, encorajam a busca por ajuda.
Ações práticas para sua empresa
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Fale sobre o tema: Inclua a incontinência urinária em campanhas de saúde da mulher. Informação quebra tabus.
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Incentive check-ups: Garanta que seu plano de saúde empresarial cubra consultas e exames necessários.
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Converse com sua corretora: Uma corretora de plano de saúde especializada pode ajudar a mapear a cobertura e a incluir programas de cuidado coordenado.
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Para PMEs: Opções como planos de saúde para MEI e planos de saúde PJ também podem ser integradas a ações preventivas.
A incontinência urinária atinge milhões de brasileiras em idade produtiva, mas ainda é cercada de silêncio e constrangimento. Para as empresas, ignorar o tema significa ignorar uma causa real de sofrimento, absenteísmo e custos.
Investir em prevenção, informação e cuidado coordenado é a forma mais eficaz de garantir que colaboradoras com incontinência recebam o tratamento adequado, recuperem sua qualidade de vida e mantenham sua produtividade.
Cuidar da saúde feminina é cuidar do futuro do negócio.
Fonte: Massa News. Disponível em: https://massanews.com/noticias/ciencia-e-saude/incontinencia-urinaria-atinge-ate-35-da-populacao-feminina-MPozp.html
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