Pelo sexto ano consecutivo, os planos de saúde ocupam o topo do ranking anual de atendimento do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). Em 2017, 23,4% de todas as queixas registradas pela entidade foram relacionadas a problemas com planos de saúde, à frente de produtos (17,8%), serviços financeiros (16,7%) e telecomunicações (15,8%).
De acordo com Igor Marchetti, advogado e analista de relacionamento do Idec, a maior parte das reclamações trata de reajustes de mensalidade considerados abusivos, além de negativas de cobertura e falta de informações adequadas pelas operadoras.
O levantamento acende um alerta não apenas para consumidores individuais, mas também para as empresas que oferecem plano de saúde empresarial a seus colaboradores. Afinal, muitos dos problemas apontados – como reajustes e negativas – afetam diretamente a relação das empresas com as operadoras e a satisfação da equipe com o benefício.
Os campeões de reclamações
O ranking do Idec traz o seguinte panorama:
| Posição | Segmento | % de reclamações | Principais problemas |
|---|---|---|---|
| 1º | Planos de saúde | 23,4% | Reajustes abusivos, negativas de cobertura, falta de informação |
| 2º | Produtos diversos | 17,8% | Vícios e defeitos de funcionamento |
| 3º | Serviços financeiros | 16,7% | Juros e tarifas de cartão de crédito |
| 4º | Telecomunicações | 15,8% | Qualidade da telefonia móvel |
| 5º | Água, energia e gás | 7,2% | Tarifas e cobranças indevidas |
Outras áreas somaram 19,1% das queixas.
O que diz a lei sobre os problemas mais comuns
Sophia Vial, diretora do Procon de Porto Alegre, comentou os direitos do consumidor nas situações que geram as principais queixas:
Reajustes abusivos em planos coletivos
Planos coletivos empresariais não têm reajuste controlado pela ANS. A revisão pode ser solicitada judicialmente, mas o entendimento atual é que o aumento é possível por se tratar de contrato entre pessoas jurídicas. Órgãos como o Procon podem orientar o consumidor antes da contratação.
Negativas de cobertura
Recusas de procedimentos cobertos pelo plano são ilegais. O beneficiário deve registrar reclamação na ANS e, se necessário, buscar a Justiça.
Falta de informação
Operadoras são obrigadas a fornecer informações claras sobre coberturas, carências e direitos. O descumprimento pode ser denunciado aos órgãos de defesa do consumidor.
Por que isso importa para as empresas
Para gestores de RH e líderes empresariais, o ranking do Idec traz lições importantes:
1. O plano de saúde é um benefício sensível
Reajustes abusivos e negativas de cobertura afetam diretamente a percepção dos colaboradores sobre o benefício. Insatisfação com o plano pode levar à desvalorização de todo o pacote de remuneração.
2. A empresa é a intermediária
Quando o colaborador enfrenta um problema com o plano, ele muitas vezes recorre ao RH. A empresa precisa estar preparada para orientar e, quando possível, intermediar a solução com a operadora.
3. Negociação e prevenção são chave
Empresas que monitoram a sinistralidade, negociam reajustes com transparência e investem em cuidado coordenado tendem a ter menos problemas e colaboradores mais satisfeitos.
4. Parceria com a corretora é essencial
Uma corretora de plano de saúde especializada pode ajudar a interpretar contratos, negociar com operadoras como Unimed, Amil, Bradesco Saúde e SulAmérica e antecipar problemas.
Ações práticas para sua empresa
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Comunique-se com a equipe: Informe os colaboradores sobre seus direitos e sobre os canais de reclamação (ANS, Procon). Transparência gera confiança.
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Monitore indicadores: Acompanhe o número de reclamações internas relacionadas ao plano. Use esses dados para negociar com a operadora.
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Converse com sua corretora: Uma corretora de plano de saúde pode ajudar a mapear os principais problemas e buscar soluções junto à operadora.
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Invista em prevenção: Programas de cuidado coordenado reduzem a sinistralidade e, com ela, a pressão por reajustes e o risco de negativas.
Que os planos de saúde lideram o ranking de reclamações do Idec pelo sexto ano consecutivo não é novidade. Mas, para as empresas, esse dado deve ser encarado como um alerta e uma oportunidade.
Alerta porque reajustes abusivos e negativas afetam diretamente a satisfação dos colaboradores. Oportunidade porque empresas que gerem ativamente seus benefícios, investindo em prevenção e parcerias qualificadas, conseguem minimizar esses problemas e oferecer um plano de saúde que realmente agrega valor.
Cuidar da relação com a operadora e da saúde dos colaboradores é, mais uma vez, cuidar do futuro do negócio.
Fonte: Gazeta do Povo, com dados do Idec. Disponível em: http://www.gazetadopovo.com.br/justica/saiba-quais-sao-os-direitos-mais-violados-dos-consumidores-7z2go5ka5n6r3i6frqr437avf
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